A partir de determinado nível, após o relativo domínio da parte técnica, a tomada de decisões durante o jogo revela-se um factor de importância extrema. Já todos vimos alguém perder com um adversário com quem não deveria perder.
Alguém que tem melhores pancadas, melhor técnica, melhor condição física, mas, apesar de tudo, perde o jogo. A mim já me aconteceu e é frustrante. Um dos parceiros de ténis com quem mais vezes jogo, tem um pior ténis do que o meu, em quase todos os aspectos, mas tem um recorde positivo contra mim.
O segredo não está na técnica mas nas decisões tomadas. O ténis é um jogo de decisões e um jogo de percentagens.
O princípio de Wardlaw, também chamado o princípio de “regras direccionais de Wardlaw” (Wardlaw Directionals) é uma estratégia de selecção de pancadas, surpreendentemente simples, que estabelece regras e princípios orientadores, fáceis de compreender e aplicar, que permitem ao jogador decidir quando é a melhor altura para mudar a direcção da bola.
Paul Wardlaw é um conceituado treinador e autor, responsável pelo programa de ténis da Brown University e autor do livro Preassure Tennis.
O princípio de Wardlaw, também chamado o princípio de “regras direccionais de Wardlaw” (Wardlaw Directionals) é uma estratégia de selecção de pancadas, surpreendentemente simples, que estabelece regras e princípios orientadores, fáceis de compreender e aplicar, que permitem ao jogador decidir quando é a melhor altura para mudar a direcção da bola.
Paul Wardlaw é um conceituado treinador e autor, responsável pelo programa de ténis da Brown University e autor do livro Preassure Tennis.
Este sistema irá ajudá-lo a decidir se deve ou não mudar a direcção da bola. O ténis é um jogo geométrico.
Essa percepção é fundamental para se perceber os espaços a ocupar no campo e que pancadas têm maior ou menor probabilidade de êxito.
Essa percepção é fundamental para se perceber os espaços a ocupar no campo e que pancadas têm maior ou menor probabilidade de êxito.
Devido à geometria do jogo e às características físicas do equipamento e do jogador, é sempre mais arriscado mudar a direcção da bola do que a devolver na direcção em que ela veio. Mudar a direcção da bola envolve um ângulo de contacto diferente entre a raquete e a bola, o que pode provocar um maior número de erros não-forçados. Manter a direcção da bola recebida permite manter uma certa margem de erro, já que a bola bate na raquete no mesmo ângulo da direcção do seu movimento.
É geralmente aceite que existem os seguintes tipos de pancadas: pancada cruzada e pancada ao longo. Podemos bater uma bola cruzada ou ao longo e podemos receber uma bola cruzada ou ao longo.
O princípio de Wardlaw analisa estas várias variantes em função da geometria do campo e da maximização das probabilidades de sucesso.
Ao rever os seguintes princípios de Wardlaw, será claro que existem ocasiões em que a mudança de direcção faz-se de modo natural, permitindo a rotação de ancas, tronco e ombros e outras ocasiões em que a pancada natural é a devolução da bola na mesma direcção em que veio.
Pancadas “Internas e Externas”:
Para perceber o princípio de Wardlaw é necessário perceber a diferença entre as pancadas de fundo de court, internas (inside ground-stroke) e externas (outside ground-stroke), tanto para a pancada de esquerda como para a pancada de direita.
Pancadas Externas
Para compreender o que é uma pancada externa examine as figuras abaixo.
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| Figura - 1 | Figura - 2 |
As imagens representam uma troca de bolas cruzadas de fundo de court. Estas pancadas são chamadas de “externas” porque a bola atravessa uma linha imaginária à frente do corpo do jogador e move-se para fora do court.
Um exemplo de uma pancada “externa” é o de uma troca de bolas cruzada, direita-com-direita, em que a bola passa em frente do jogador e dirige-se para a sua direita e para a parte exterior do court (linha ponteada na figura 1). Este padrão permite ao jogador bater uma direita “externa”.
Do mesmo modo, considera-se também uma pancada “externa”, quando ocorre uma troca de bolas de esquerda-com-esquerda, em que a bola passa em frente do jogador e dirige-se para a sua esquerda e para a parte exterior do court (linha ponteada na figura 2). Este padrão permite ao jogador bater uma esquerda “externa”.
Um exemplo de uma pancada “externa” é o de uma troca de bolas cruzada, direita-com-direita, em que a bola passa em frente do jogador e dirige-se para a sua direita e para a parte exterior do court (linha ponteada na figura 1). Este padrão permite ao jogador bater uma direita “externa”.
Do mesmo modo, considera-se também uma pancada “externa”, quando ocorre uma troca de bolas de esquerda-com-esquerda, em que a bola passa em frente do jogador e dirige-se para a sua esquerda e para a parte exterior do court (linha ponteada na figura 2). Este padrão permite ao jogador bater uma esquerda “externa”.
Pancadas Internas
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| Figura - 3 | Figura - 4 |
Uma pancada “interna” é uma pancada em que a bola não cruza à frente do corpo do jogador.
Um exemplo de uma pancada “interna” é o de uma troca de bolas, em que o adversário bate uma esquerda ao longo para a direita do jogador (linha ponteada na figura 3 acima), em que a bola não passa em frente do jogador e dirige-se para a sua direita e para a parte interna do court (figura 3). Este padrão permite ao jogador bater uma direita “interna” - uma direita mudando a direcção da bola para a parte aberta do court.
Um exemplo de uma pancada “interna” é o de uma troca de bolas, em que o adversário bate uma esquerda ao longo para a direita do jogador (linha ponteada na figura 3 acima), em que a bola não passa em frente do jogador e dirige-se para a sua direita e para a parte interna do court (figura 3). Este padrão permite ao jogador bater uma direita “interna” - uma direita mudando a direcção da bola para a parte aberta do court.
Do mesmo modo, considera-se também uma pancada “interna” quando ocorre uma troca de bolas, em que o adversário bate uma direita ao longo para a esquerda do jogador (linha ponteada na figura 4 acima), em que a bola não passa em frente do jogador e dirige-se para a sua esquerda e para a parte interna do court (figura 3). Este padrão permite ao jogador bater uma esquerda “interna” - uma esquerda mudando a direcção da bola para a parte aberta do court.
Regras Direccionais de Wardlaw
Após a identificação de cada tipo de pancada é fácil aplicar as seguintes regras direccionais de Wardlaw. Um excelente exercício, para quando estiver a jogar é dizer, mentalmente ou em voz alta, “inside” ou “outside”, cada vez que a bola bate no campo à sua frente. Identificar o tipo de pancada é meio caminho andado para aplicar as regras do princípio de Wardlaw.
Princípio 1 – Não mudar a direcção de uma bola “externa”. A pancada mais natural e com maior percentagem de sucesso é bater cruzada uma bola que é recebida cruzada, não mudando a direcção da bola. Deste modo a bola sai do contacto com a encordoação da raquete no mesmo ângulo de incidência, provocando menos erros não forçados.
Princípio 2 – Mudar a direcção de uma bola “interna”. É indicado mudar a direcção de uma bola “interna” de modo a batê-la para parte aberta do court (figura 3). Mudar a direcção da bola em uma pancada “interna” aumenta a probabilidade de êxito e provoca a vantagem ofensiva ao promover a pancada para a zona aberta do court.
Princípio 1 – Não mudar a direcção de uma bola “externa”. A pancada mais natural e com maior percentagem de sucesso é bater cruzada uma bola que é recebida cruzada, não mudando a direcção da bola. Deste modo a bola sai do contacto com a encordoação da raquete no mesmo ângulo de incidência, provocando menos erros não forçados.
Princípio 2 – Mudar a direcção de uma bola “interna”. É indicado mudar a direcção de uma bola “interna” de modo a batê-la para parte aberta do court (figura 3). Mudar a direcção da bola em uma pancada “interna” aumenta a probabilidade de êxito e provoca a vantagem ofensiva ao promover a pancada para a zona aberta do court.
Como em qualquer regra existe a excepção. Em alguns casos é recomendado efectuar a mudança de direcção em pancadas “externas”. No caso de uma bola curta, o princípio de Wardlaw recomenda a mudança de direcção, definindo no entanto algumas recomendações.
Princípio 3 – Em uma bola “externa” curta, deverá efectuar a mudança de direcção, por exemplo no caso de um approach-shot. No caso de mudança de direcção em uma pancada “externa”, de esquerda ou de direita, essa mudança de direcção deverá ser sempre feita com um ângulo de 90 graus. A bola deverá ser batida ao longo. Deverá bater no campo e sair pela linha de fundo e não pela linha lateral (90 graus em relação à linha de fundo). Esta opção deverá ser tomada quando a bola for curta e caso o adversário não esteja directamente posicionado na zona do campo para onde irá bater a bola.
Um ponto importante, ao mudar a direcção da bola em uma pancada “externa” é não bater muito próximo das linhas. Dê margem de erro a si próprio. Garantir que a bola sai do campo pela linha de fundo e não pela linha lateral irá minimizar a probabilidade de mandar a bola fora, já que a linha recta até á linha de fundo tem maior comprimento que uma recta diagonal que cruza a linha lateral do campo.
Princípio 3 – Em uma bola “externa” curta, deverá efectuar a mudança de direcção, por exemplo no caso de um approach-shot. No caso de mudança de direcção em uma pancada “externa”, de esquerda ou de direita, essa mudança de direcção deverá ser sempre feita com um ângulo de 90 graus. A bola deverá ser batida ao longo. Deverá bater no campo e sair pela linha de fundo e não pela linha lateral (90 graus em relação à linha de fundo). Esta opção deverá ser tomada quando a bola for curta e caso o adversário não esteja directamente posicionado na zona do campo para onde irá bater a bola.
Um ponto importante, ao mudar a direcção da bola em uma pancada “externa” é não bater muito próximo das linhas. Dê margem de erro a si próprio. Garantir que a bola sai do campo pela linha de fundo e não pela linha lateral irá minimizar a probabilidade de mandar a bola fora, já que a linha recta até á linha de fundo tem maior comprimento que uma recta diagonal que cruza a linha lateral do campo.
Os mesmos princípios de Wardlaw aplicam-se não só a pancadas de fundo de court, mas também a volleys e approach-shots.
Comece por identificar bem as pancadas internas e externas. Depois passe a aplicar os princípios básicos: não mudar a direcção em pancadas “externas”, mudar a direcção de pancadas “internas” e em pancadas “externas” a partir de bolas curtas.
A aplicação destas regras torna também mais fácil a concentração durante o jogo. A aplicação de uma táctica simples liberta a mente e permite o jogador concentrar-se no jogo e não em tácticas super-complexas e que, muitas vezes, não são implementáveis com o nosso nível de ténis.
Bons jogos!
Comece por identificar bem as pancadas internas e externas. Depois passe a aplicar os princípios básicos: não mudar a direcção em pancadas “externas”, mudar a direcção de pancadas “internas” e em pancadas “externas” a partir de bolas curtas.
A aplicação destas regras torna também mais fácil a concentração durante o jogo. A aplicação de uma táctica simples liberta a mente e permite o jogador concentrar-se no jogo e não em tácticas super-complexas e que, muitas vezes, não são implementáveis com o nosso nível de ténis.
Bons jogos!




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